12.12.04

Desliga a máquina.

Não foste tu que me gritaste ao ouvido? Não foste tu que comeste o que restava do teu papel? Não foste tu quem esqueceu as luzes e os buracos? Pensa lá bem. Só mais uma vez.
Eu estive este tempo todo sentado aqui a ouvir-te tocar. Bebi-te e saboreei-te porque não sabia o que mais fazer. Tentei compreender. Talvez tenha ficado hipnotizado pela tua música. É verdade, está tudo muito turvo. Mas ainda assim, sei que foste tu quem provocou isto.
Quando olhaste descaradamente para mim. E não sei se te lembras... claro que te lembras!... mas eu saltei. Fugi e escondi-me. E tu tentaste fazer o mesmo. Mas esqueceste-te das luzes acesas e dos buracos abandonados.
Resta-te responder que sim. Eu estive hipnotizado, mas lembro-me como se fosse ontem.
E não foi?

2.12.04

E agora, Jerónimo?

De repente, acusam-me de estar a mentir. Chamaram a polícia. Tentei explicar tudo. Não tinha feito nada daquilo de que era acusado. Recorri até a um casal que tinha estado lá durante todo o tempo em que lá estive também. Pedi-lhes para dizerem a verdade aos senhores agentes. E acusaram-me de estar a mentir.
Mas eu não estava a mentir. Talvez não pudesse provar nada. Melhor assim.
“Jerónimo, pá!! Ó Jerónimo! Anda cá, pá!”
“Epá, agora não posso. Estou aqui a fazer umas coisas e não posso mesmo.”
“Pronto, então.”