Naquela tarde, adormeceste sossegada. Estavas cansada. Eu, no entanto, parecia encontrar fôlego a cada olhar, a cada onda. A brisa que me ameaçava o cabelo cheio de sal só te fez bem. E aos meus olhos também. Vi-te mais bonita do que alguma vez te tinha visto. Dormias, no entanto. Saudável e sossegadamente, dormias.
Vinte minutos. Não mais, acho eu. E pudera eu ter lá estado a tarde toda, sentado ao teu lado. Continuaria a olhar para as ondas e para o sol que quase se punha. Continuaria a afastar os olhos das tuas pernas. Continuaria a esquecer-me de afastá-los.
Talvez sorrisse e censurasse o meu descuido.
25.2.05
22.2.05
Recaída.
Mudam os rostos dos que se olham diariamente ao espelho. Não mudam espelhos nem temperaturas. Isso impedi-los-ia de viver. Sim. Tanto como a ilusão do oposto os agarra ao chão.
“São poças, senhor.”
Eu sei o que são. São reflexos inacabados (só umas arestas, no entanto) de uma luz maior. Maior que eu e tu. Mas vai-te embora. Sai do espelho e volta para a toca.
Reflexo sim, reflexo não... soas-me desafinado. Enganei-me, desculpa.
Desapareço.
Desaparecem os espelhos e os reflexos.
Desaparecem vocês e os outros.
Desaparecemos todos num “fade out” cinematográfico. Que romântico.
Golo. Não?
“São poças, senhor.”
Eu sei o que são. São reflexos inacabados (só umas arestas, no entanto) de uma luz maior. Maior que eu e tu. Mas vai-te embora. Sai do espelho e volta para a toca.
Reflexo sim, reflexo não... soas-me desafinado. Enganei-me, desculpa.
Desapareço.
Desaparecem os espelhos e os reflexos.
Desaparecem vocês e os outros.
Desaparecemos todos num “fade out” cinematográfico. Que romântico.
Golo. Não?
6.2.05
Está escuro. (Brilham as minhas mãos.)
Queimas-te graciosamente. E, de repente, tudo pára.
Paras tu e o trânsito. Pára o dia na noite e eu... bem, eu sento-me e finjo que também estou parado.
Gosto quando ficas cheia de luz. Atinge-me o calor e olho para os meus braços, agora cheios de um amarelo frágil que em mim não resulta tão bem.
Paras tu e o trânsito. Pára o dia na noite e eu... bem, eu sento-me e finjo que também estou parado.
Gosto quando ficas cheia de luz. Atinge-me o calor e olho para os meus braços, agora cheios de um amarelo frágil que em mim não resulta tão bem.
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