24.7.05

A moça que o não foi

Este é um esboço patrocinado por um qualquer encontro desleixado no meu estômago. Ruína. Dinheiro. Pena, muita pena. Se tens estofo de campeão, luta até ao fim. A vida ainda te vai trazer muitas surpresas. A vida ainda te vai trazer muitas surpresas duas vezes. Mas luta, meu caro, luta! E espera que tudo se resolva – senta-te em frente ao computador e escreve um texto. Vais sentir-te muito melhor. O desabafo ecoará pelo mundo inteiro mas todos o confundirão com um qualquer trovão (ou um sinal de Deus, para os menos crentes). E se em cima de ti e de mim não cair nenhum raio, então estás salvo. Agora que já choraste... podemos jogar à sardinha?

18.7.05

Lugar comum

O minuto começou cedo, por volta dos 0 segundos, mais coisa, menos coisa. Consegui, entretanto, encontrar uma forma de me manter imune à passagem do tempo. Ao esconder-me por detrás do ponteiro do Grande Relógio de Greenwich, consegui penetrar no espaço que separa as existências, alargando o momento e transformando-o em eternidade.
Desta forma, torna-se difícil a distinção entre o que sou, o que fui, o que serei, o que não sou, o que não fui e o que não serei. Nunca revelo segredos e acabo de me sentir culpado. Existe a vaga possibilidade de estar perdido numa qualquer fenda na parede mais forte de um prédio velho sito em Lisboa. Existe a possibilidade de nunca lá ter estado. Existe a forte possibilidade de me deslocar até à fenda e encontrar a verdade e o medo. A verdade é que já não sou eu que escrevo e o medo é real.

9.7.05

O momento absurdo em que o absoluto se torna relativo

Restam-me apenas vinte e duas horas, trinta e sete minutos e catorze segundos. Talvez as aproveite para gritar ao mundo novas palavras de ordem. Para ser sincero, não sei muito bem o que fazer. Poderia ficar a olhar o meu reflexo no espelho mas lembro-me de ter pensado um dia acerca do erro que é pensar que a imagem no espelho é realmente minha. Seria incongruente se o fizesse. Talvez aproveite para assaltar lojas e perfumarias, mas não vejo muitas razões para isso.

Não é que precise de um objectivo. Mas acho que vou deitar-me e contar até dez mil. Uma vez, quando era pequeno, contei até dois mil e fiquei orgulhoso. Acho que é o mínimo que posso fazer agora que me resta tão pouco tempo.

8.7.05

Revolve os meus sentidos e desaparece.

3.7.05

Rectidão. (Tudo é especial.)

Morrem pessoas mais rapidamente. Morrem pessoas sem medo. Morrem os paus e as pedras que atiraste um dia. Morrem os estúpidos e os que se têm em boa conta. Morres tu, fraude, e morrem os teus ossos de plástico. Sim, és uma fraude em cada osso desconstruído. Mas porque é que tenho de ser eu a dizer-te tudo isto? Porque é que não ouves, mesmo quando eu te grito junto ao ouvido bom? Borracha – é o que és, fraude. Borracha, ferro, plástico, madeira, algodão, lã e tudo o resto.

Se um dia pensares em defraudar as expectativas de alguém, pode ser que seja tarde demais para isso. E nem os meus olhos enraivecidos, nem a tua cara sem expressão poderão ser surpresa. Porque és fraude maior hoje do que em qualquer outro dia futuro.