27.1.06

Cento e um

É difícil quebrar um longo silêncio, sobretudo quando se tem tanto para escrever. As alegorias fantásticas atingiram um patamar absurdo e a intenção era mesmo essa. Ainda assim, não posso deixar de me entristecer com esse facto. Acabei comigo e com as palavras. Sinto-me analfabeto e sinto-as escorregar-me por debaixo da língua, as doces palavras submetidas à lógica fácil do ouvido. Continuo, no entanto, a resistir aos meus próprios olhos. É só um consolo.

E agora sei que não tenho tempo e não tenho vontade de escrever e sei que só quero falar um bocadinho, ainda que isso possa parecer irónico. Porque falo, falo, falo, falo... e parece que ainda nem eu reparei no que digo. É uma pena ter de fugir daquilo de que me senti mais próximo durante alguns anos. É uma pena ter de ceder à minha própria preguiça e falta de iniciativa.

É esta a bola que estoira após todos os pontapés certeiros.

Esta é a minha apologia. Não é o fim. Amanhã – que amanhã? – há mais.

2 comentários:

Anónimo disse...

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Anónimo disse...

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