Fecho os olhos num misto de reverência e sono. A cadeira nem sequer é confortável e a minha ligeira inclinação para a frente, estou certo, é suspeita. Tento não saltar e tento não ressonar e tento não acordar realmente. Porque sabe bem. E porque teria de fazê-lo de repente. Não estou para isso. Não hoje.
Hoje quero dormir e escutar-te, ao mesmo tempo, com atenção. Para não me esquecer de uma ou outra palavra mais interessante e para poder, no intervalo para café, discutir contigo alguns dos temas. Porque gosto de falar contigo. Mas, por agora, também gosto muito de dormir.
A minha cabeça está quase no chão e o rapaz que usa risco ao meio e tem uma camisola do Barcelona vestida dá-me pequenos toque com o cotovelo que quase me acordam. Quase. Porque sei que, pelo menos por agora, vou ficar a dormir. O peso é demasiado. E está um ligeiro calor. E as dores nas costas provocadas por uma posição pouco ortodoxa não são suficientes para me acordar realmente – ainda que não me deixem adormecer completamente.
Este purgatório que não dói parece não acabar. Acho que vou ficar a dormir para sempre. Ou, pelo menos, durante a próxima meia hora.
27.6.06
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