23.10.06

As melhoras

Ainda não encontrei os teus membros decepados em lado nenhum. Procurei em quase todas as ruas da cidade – demorei três dias – mas parece que quem tos arrancou o fez sem deixar qualquer rasto. Não quero dizer que foi um bom trabalho mas a verdade é que foi executado com mestria. Reparaste nos cortes ligeiros mas firmes?

É pena não te lembrares de nada. Espero que, no dia em que me arrancarem os braços com uma faca de talhante, não fique inconsciente. Nunca me perdoaria tal coisa. Quer dizer, não digo que não te devas perdoar por não te lembrares de nada, por não teres aguentado a dor e por estares a recuperar tão lentamente do trauma... mas pronto, eu não me perdoava.

Pronto, quis só trazer estas flores e umas luvas (ou serão meias?) que fiz para os teus cotos. Espero que gostes.

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