21.10.06

Automático

Bipolariza-los. Olhas, escolhes cuidadosamente o alvo e esperas pacientemente que o tempo se encarregue da realização da tua tarefa. Cobardemente, assumes o outsourcing vergonhoso como um mal menor (as vantagens que traz fazem esquecer a imagem que deixas, uma imagem de merda). E vives contente, e triste, como se não houvesse amanhã. Para ti, de facto, não há amanhã. Alimentas-te do presente, e do passado (mas nunca, nunca do futuro), vives como parasita que, agora que me obrigo à reflexão, és.

E, por ti, todos cuspiríamos sangue sem muito esforço; por ti, meu caro, todos seríamos apenas uma grande distorção da realidade, nevoeiro uno. Contas tudo e perdoas-te com a mesma facilidade; perdoas as palavras deles e os problemas que lhes causaste porque o teu coração é muito, muito grande.

Cresce e segue o caminho inverso. Não te esquecerão enquanto a noite por aqui estiver. Amanhã, esse que tu não conheces, logo se vê.

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