Choveu muito naquela noite. O céu estava mais claro do que era habitual, as nuvens davam-lhe outra cor. Ouvia-se a chuva a cair nas ruas e nos telhados, mas sobretudo nas caixas das persianas das janelas que as tinham. De resto, quase nada. Um ou outro carro passava, esporadicamente, na rua lá ao fundo sem fazer barulho por muito tempo. Três ou quatro janelas iluminadas denunciavam pessoas acordadas a horas indecentes. Mais nada senão os prédios de paredes molhadas, luzes amarelas pouco interessantes e uma neutralidade cromática disfarçada.
Lembro-me que choveu muito naquela noite. Agarraste-me no braço e levaste-me até à cama às escuras, às minhas escuras, sem incidentes para além do habitual. Deitei-me e logo os esqueletos empoeirados se aconchegaram ao meu lado.
E dormi como sempre, calmo e quentinho por fora.
17.10.06
Subscrever:
Enviar comentários (Atom)
0 comentários:
Enviar um comentário