Olho pela janela e tento ver-te passar, mesmo que só imaginando. Não consigo. Estou cada vez mais terreno, mais algo entre duas poeiras, mais antítese do que estou a fazer. Empedernido, dizia o outro. Tudo encaixa numa realidade cósmica que, por mais que me esforce, não controlo. Todos os dias, todos os tremores de terra, todas as distracções fatais. O controlo é o maior programa de apanhados da História da Humanidade.
Tudo me parece tão fútil e o mais engraçado é que isto nem sequer é existencialismo. Não chega a ser, pelo menos. Todos se desdobram em explicações e em métodos e eu reduzo-me a pó imaginando o futuro. Só que não consigo imaginá-lo mesmo, limito-me a pensar o processo de imaginação.
Dói-me a ferida. É real, passageira e mundana. Se infectar, terei de me amputar. Não serei assombração, dor imaginária, saudade nem uma imagem sequer. Apenas pó, algo que foi algo depois e antes de ter sido pó. Sinto-me tão objecto como um lápis.
Subscrever:
Enviar comentários (Atom)
0 comentários:
Enviar um comentário