6.3.07

Olá outra vez

Às vezes, o momento é tão especificamente seleccionado que parece de propósito. É como se uma centena de pequenos fragmentos ininteligíveis me surgisse em forma de carta. Não faz sentido que consigam integrar-se tão bem na realidade. Subsistem durante dias, semanas ou meses num esquema de vida formidavelmente parasitário. Disparam flashes quando acordo e fazem-me temer o dia e as notícias. Tem sido assim desde há muito tempo. Poderia mudar agora; não me importava.

Sinto-me culpado. Sei que não o sou e que é egocentrismo puro. Mas preciso disto. É a pequena tortura necessária para que amanhã de manhã acorde como de costume, ensonado, preguiçoso, cheio de restos da noite.

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