Ouve-se ao longe a fome de cura. Ouve-se a espera pelo milagre e a promessa que o vento traz. Ouve-se o doloroso som da desilusão.
A espera funde-se com a desilusão porque nunca acaba realmente. Resta o sorriso resignado.
Ouve-se o raspar das unhas no quadro e já não incomoda. Já nada incomoda. A dormência é senso comum e todo eu estou dormente.
Ouve-se, por engano, uma nuvem carregada e um pássaro ao longe. Já passou; não passou de um engano. Foi um prazer.
Parece que voltei a fazê-lo.
21.3.07
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