Ontem encontrei-te na rua e vi, ao longe, que não eras tu. Procurei-te noutro sítio e encontrei-te novamente só para chegar à conclusão de que não eras tu. O processo repetiu-se fielmente e eu caí redondo no chão por causa de umas tonturas que duram há já bastantes dias.
Comecei a ver pessoas à minha volta e ouvi uns “está tudo bem?” e uns “caiu?” sem sentido. Felizmente, não estava nu como daquela outra vez.
“A culpa é das grandes ideias”, pensei na altura. Agora não sei se concordo. Porque não consigo pensar como deve ser e o que resta de mim é simplesmente pouco representativo.
De todas as coisas que tenho feito, consigo destacar somente uma: o caminho descendente até ao abismo (um abismo muito mais agradável do que seria de esperar, no entanto), passando por outras metáforas idiotas. A verdade é que nem isto consigo destacar honestamente.
Não tens feito senão estragar o meu raciocínio.
4.6.07
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