Há dias em que não consigo parar de sorrir. Nunca encontro um motivo minimamente razoável.
Não interessa. Não significa que seja bom (até pode ser uma espécie de problema muscular, quem sabe). É só o que é – como tudo o que é é.
Tento não sorrir quando me cruzo com alguém (até porque já me disseram várias vezes que não sei sorrir; faço, isso sim, uma espécie de esgar quando tento fazê-lo) mas acima de tudo tento aproveitar um certo bem-estar enganador que o sorriso, qual doença, me dá.
Porque há coisas que nem todos podemos ver ou cheirar. Não podemos ver ou cheirar o que vai na minha cabeça... ainda que eu, que me considero uma autoridade nesta área, até saiba mais ou menos do que é que estou a falar. Mas é certo que não consigo ver nem cheirar nada.
Fica a impressão e a incerteza. Fica o cinzento – sempre o cinzento – em vez de preto e branco, por todos os clichés e mais alguns. Fica uma nostalgia de não-sei-quê e saudade de absolutamente nada. Resta-me a cor do céu e o pormenor.
Não importa.
15.6.07
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2 comentários:
É claro que sabes sorrir. Só tens que o fazer mais vezes...Lipa
Há magia no teu esgar.
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