24.7.07

Isto não é para ti

Daqui a pouco é Novembro. Por este andar, o comboio que parece não sair da estação chega ao destino antes que me aperceba. O romance que quero escrever vai ficar na prateleira e quando chegar Novembro será tarde demais. Vai haver demasiadas folhas no chão quando regressar à cidade. Vais conhecer-me de qualquer lado mas não vais lembrar-te de nada do que passámos juntos. Serei apenas uma recordação de recordação, uma lembrança de qualquer coisa indistinta. E tu não perguntarás "porquê?" nem "mas o que é que se passou?". Olharás para o lado e fingirás que não me viste ou, pior, falarás comigo como se te interessasses realmente.

A realidade é simples. Cronologicamente, tudo se perde. Hoje não quero que amanhã me passes ao lado. Mas amanhã, ou em Novembro, vais fazê-lo e eu vou passar-te ao lado também.

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