Deixas-te dormir como se nada mais importasse. O cansaço que te atirou para a cama, já não o sentes. A vontade de dormir é tão pouca que quase acordas ao primeiro raio de sol do terceiro dia. Mas a vontade de sair da cama e andar é tão pouca que mais vale assim. É melhor assim (e se ao menos um dia esta frase ridiculamente simples me saísse da cabeça).
O lençol está sujo e tu também. A tua casa está inundada e o nível da água está a subir. É como se aquela tristeza do outro estivesse a tomar conta de ti. Será possível?
Podes sair daí? Era tão melhor se acordasses de uma vez por todas. Levantavas-te alegremente, tomavas banho (mas não na água suja da inundação) e saías de casa contente. Quando abrisses a porta, a água saía de lá e o sol secava instantaneamente todos os restos de humidade. Morríamos secos mas felizes, porque eu estaria à tua porta, como de costume, para que não desses um único passo sem mim.
9.7.07
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